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  • Marcio Leite

Projeto Experimental Estranhos

Atualizado: 24 de Set de 2020

Entender, conectar, idear, prototipar, testar, ajustar, refazer e lançar. Como métodos de design thinking foram empregados no desenvolvimento de um projeto multiplataforma, em caráter experimental, com cinco personalidades jovens do mundo digital.


Artigo originalmente publicado no site Geração Pixelada (geracaopixelada.com) em 23/09/2020.



Contexto


Em 2016 a previsão do número de celulares do tipo smartphones no Brasil, que se confirmaria no mês de Abril daquele ano, era de 168 milhões de aparelhos*.


Mesmo com índices que apontavam que o conteúdo no tráfego das redes sociais era majoritariamente derivado ou relacionado com os conteúdos e programas de televisão, em pesquisas de sondagem, a população jovem se declarava não interessada em assistir TV, quando se referia ao hábito e ritual de acessar o aparelho na sala ou no quarto. O que ficava evidente era que, o consumo de vídeos usando esses aparelhos como primeira tela, era um tendência crescente, um novo hábito.


Além disso, a lógica de uma orientação do consumo de mídia e conteúdo audiovisual ditada por um (ou mais) broadcasters desaparecia no universo da internet. O jovem de agora curava o seu conteúdo em múltiplas plataformas, de diferentes publishers, de acordo com seus múltiplos temas de interesse, ganhando protagonismo e controle, interagindo e participando desses conteúdos de forma direta ou indireta.


A hiper-fragmentação do consumo, por grupos e temas de interesse, também estariam refletindo não só a busca desses jovens por identidade, natural nessa fase da vida, mas uma busca por confiança numa promessa, um discurso autêntico e original. Não mais o consumo vazio do entretenimento, mas uma causa com impacto transformador.


*de acordo com dados da 27ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).




Desafio


Partindo desse contexto, o chamado para o projeto experimental tinha como objetivo atingir essas novas audiências jovens, mas também experimentar novos modelos de produção com captação e edição dinâmica, com linguagem e plasticidade inovadora, que estabelecesse conversas sobre temas latentes da sociedade e de interesse desses grupos mais jovens.


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Como gerar conteúdo "real time" e multiplataforma, com alta relevância para essas audiências jovens nativas-digitais, com "voz própria" e "discursos pertinentes", sendo feito por e para "gente de verdade"?

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Como criar um projeto colaborativo, buscando conexões autênticas e corajosas com uma nova geração?


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Abordagem


Longe de um processo de seleção complexo, o que procuramos fazer foi conectar com talentos que estivessem a mão em nosso próprio meio de trabalho multicultural. Identificamos na empresa, pessoas que, de alguma forma, representassem micro-frações de recortes sociais jovens diversos, que tivessem seus discursos naturalmente refletidos nas suas ações no dia-a-dia e que já possuissem alguma produção digital ativa, com seguidores e conteúdos já publicados em alguma mídia ou plataforma social com alcance.


Para isso convidamos cinco jovens. Três deles já eram influenciadoras digitais, com perfis e discursos muitos diferentes entre si: uma jovem publicitária, militante das causas e direitos relacionados à mulher preta; uma estagiária de produção, que falava sobre sua experiência na causa do feminismo e veganismo; e uma jovem publicitária, que falava de positividade e lifestyle de luxo. Somando ao grupo, um jovem designer representante da causa LGBT; uma jovem designer interessada em hábitos e vida saudável e um videomaker com experiência em programa de humor na MTV.



O ponto de partida foi um processo de imersão com esse time diverso. Através de ferramentas de design thinking fizemos um mapemento dos seus discursos individuais mais fortes e a aproximação ou cruzamento desses temas para a coesão de um grupo de trabalho, com um espectro temático bem definido, que orientasse a posterior produção de conteúdos.


Para a realização desse sprint de ideação, passamos um dia todo num hotel em Santa Teresa, o Mama Shelter, no Rio de Janeiro. Entre etapas de downloads, benchmarks e apresentações individuais, tivemos momentos de debate e reflexão. Abordamos suas fragilidades pessoais, vivências e experiências particulares, identificamos os motivadores das suas falas e estruturadores dos seus discursos - o que realmente dava verdade a cada um dos seus temas.


A partir dessas atividades, chegamos a 16 temáticas postas em 8 combinações que seriam os direcionadores da produção do grupo, em conteúdos em vídeo, postagens em redes sociais, textos e reports da produção individual e do coletivo.



Dessa forma, todas as produções, mesmo que realizadas em forma e estrutura particulares, convergiriam para um ecossistema de plataformas de mídia em comum (o que a princípio gerou muita discordância entre os participantes, dada a essência das temáticas serem, a primeira vista, muito diversa e divergente entre si).




Prototipação


Numa primeira etapa pós planejamento, cada influenciador definiu um breve roteiro de trabalho, propondo seus formatos e descrevendo como seriam as suas abordagens dos seus temas. Foi feita uma lista de requerimentos técnicos e equipamentos. Esse roteiro seria explorado em campo, num festival de música internacional jovem em São Paulo, o Lollapalooza, onde rodaríamos nosso protótipo da plataforma que eles batizaram de ESTRANHOS.


O ambiente do festival, além de ser supostamente multi-estilos, abraçava os discursos de diversidade e sustentabilidade muito próximos das temáticas dos nossos influenciadores, além de ser um ambiente relativamente controlado e com uma base de apoio, afim de evitarmos acidentes ou conseguir um controle de crise, case fosse necessário.


https://www.youtube.com/watch?time_continue=270&v=t8RlUqBxiQU



Rollout e conclusão


Após o grande desafio de testar o plano de ação, gerando conteúdos e estabelecendo os consensos necessários entre o grupo de trabalho, o próximo passo foi cruzas as zonas temáticas e produzir contúdos de temática híbrida. Temática racial na temática LGBT; temática social na temática de moda; e assim por diante falando de preconceitos, estigmas sociais, Estado, política, produção cultural original e entretenimento.


Dessa maneira, um influenciador abraçaria a temática do outro, ou traria convidados externos, dando voz a outras variações e visões de seus temas.


A produção seguiu ao longo do ano de 2017. O extrato geral, aprendizados e conteúdos foram apresentado para o board gestor e diretores de alguns canais de TV paga trazendo uma nova visão sobre produção de conteúdo para jovens.


Além de um framework, um modelo e abordagem de trabalho com influenciadores digitais,

o projeto resultou em produções independentes dos influenciadores para os canais GNT (projeto TEIA), Multishow e Canal Brasil e gerou substância, aprendizado e conscientização, para temas de inclusão e diversidade na corporação.



PROJECT LEADERS: Marcio Fabio Oliveira Leite e Danton Gravina

INFLUENCERS: Hanna Khallil, Lara D'ávila, Renata Novaes,

Bruna Fonyat, Danton Gravina e Eric Gustavo

SPONSOR: Manuel Falcão (Marketing Director)

LOCATION: São Paulo / Rio de Janeiro (Brazil)

DURATION: Up to two years

YEAR: 2016

INDUSTRY: Media & Entertainment


Onde saber mais:

Medium: https://medium.com/estranhos

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCW0N3bDrAF22XuznkQi-DSw

Instagram: https://www.instagram.com/instranhos/

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Geração Pixelada [Pixelated Generation]

© Márcio Fábio Oliveira Leite

Versão original em inglês.

UAL / LCC London College of Communication.

Londres, UK, Novembro de 2008.

1ª Edição - Versão revisada e editada em português.

Publicação Independente do autor via Blurb e Kindle.

São Paulo, Brasil, Dezembro de 2018.

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